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Eu Amo Curionopólis

Cidade de Curionópolis a Princesa do Sul do Pará

Linda Imagens da Entrada da Cidade de Curionópolis

O município surgiu de dois povoados distintos, onde um deles formado no km 30 da rodovia estadual PA-275 hoje é a sede de Curionópolis; o outro povoado é a Serra Pelada, formada ao pé da colina de mesmo nome. Ambos formados em 1979, a época pertenciam ao município de Marabá e somente constituíram município em 1988. Quando da emancipação, era parte do município o distrito de Eldorado (ou "Km 100"), que posteriormente formou o município de Eldorado do Carajás
Embora os vilarejos tenham sido constituídos somente em 1979, os primeiros colonos de Curionópolis fixaram-se na região ainda em 1977, construindo as primeiras propriedades rurais da área.

Primeiros anos e colonização

Formado basicamente por duas frentes distintas, a principal, formadora da sede, foi a vila Trinta iniciada no km 30 da rodovia estadual PA-275. Esta vila foi fundada pelo casal João Patrocínio da Costa (ou João Mineiro) e Maria das Graças Costa, ambos trabalhadores rurais da fazenda de Sebastião Naves; como era comum a parada dos viajantes da rodovia na altura do km 30, utilizando a residência da família Costa como um ponto de referência[17] para alimentar-se e até mesmo dormir, o casal resolveu erguer um barracão para comercializar comida, local que aos poucos acabou por servir de referência para os garimpeiros que usavam aquele ponto da estrada para entrar clandestinamente no garimpo de Serra Pelada[17], já que a entrada oficial era fiscalizada rigorosamente pela Polícia Federal. Posteriormente o pioneiro João Mineiro foi homenageado com seu nome no terminal rodoviário do município, quando ainda vivo.
A segunda frente foi a formadora da Serra Pelada, e se deu em dezembro de 1979[ quando um vaqueiro (ou garimpeiro) da Fazenda Três Barras, de propriedade de Genésio Silva,[encontrou pedras de ouro de aluvião próximo a pés de bananeira, no riacho da Grota Rica.[O garimpeiro levou as pedras até Genésio Silva, que destacou um grupo para trabalhar no local. Foi formado inicialmente um acampamento com o nome de Grota Rica, porém ao descobrirem grande quantidade de ouro em uma colina sem vegetação, apelidada de Serra Pelada, a pequena localidade passou a ter o nome de "Serra Pelada". Rapidamente a notícia do ouro foi espalhada, e no primeiro semestre de 1980 cerca de 30 mil garimpeiros já se haviam deslocado para a riquíssima área.[23]

Intervenção federal[editar | editar código-fonte]

A intensa migração para a área chamou atenção do governo militar, que enviou o major Sebastião Curió para servir como interventor local, indicação conseguida graças a sua experiencia durante a Guerrilha do Araguaia. Segundo informações de arquivos do governo datados de 1980, até então secretos, o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) preocupava-se com a jazida de ouro em Serra Pelada[24]. Os militares acreditavam que a presença do major Curió (já cooptado como agente do CIE-SNI) seria fundamental para identificar pessoas na clandestinidade e militantes da esquerda política atraídos para o local[25], além de coibir o grande número de delitos e a crescente violência no local. Na região proliferava a prostituição, e em virtude da existência de grande número de bares, as brigas, tentativas de assassinatos e assassinatos multiplicavam-se.[26]
Segundo a historiadora Tânia Silva, no período mais movimentado da economia do ouro, chegaram a existir cerca de cinco mil mulheres trabalhando em Curionópolis como prostitutas, e; o estigma da violência foi tão forte que, naquele período, as pessoas referiam-se ao vilarejo como "30 de dia e 38 à noite", numa clara alusão à violência e ao revólver calibre 38, de porte comum à época.[26]
O major Curió ordenou a ocupação territorial na região separando as funções dos dois vilarejos, especializando o "Trinta" em centro residencial, comercial e administrativo, devendo receber as mulheres e suas famílias[27], tendo para isso organizado os arruamentos do local e distribuído gratuitamente títulos de posse de terrenos urbanos[28]. O vilarejo do Trinta foi separado em dois setores, sendo o primeiro (km 30) eminentemente residencial e comercial, e o segundo (conhecido como km 31) para abrigar os prostíbulos, bares e outros comércios. No caso da Serra Pelada, o segundo vilarejo, Curió proibiu a presença de mulheres e bebidas no local, sob a justificativa de diminuir as brigas e mortes constantes.[28]

Auge do garimpo e decadência[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Serra Pelada

Avenida Brasil, no bairro Planalto, em dezembro de 2016.
Em 1980 as atividades garimpeiras na Serra Pelada começaram seu período áureo, onde somente neste ano seriam extraídas 7 toneladas de ouro. Inevitavelmente a corrida ao ouro saiu do controle das autoridades locais, e a intervenção federal tornou-se mais intensa, com o fechamento da região do garimpo pela Polícia Federal para impedir a entrada de mais pessoas no local. Como medida para evitar a evasão e o contrabando do ouro, o governo montou na própria vila uma Caixa Econômica Federal, que seria a única compradora legalizada do metal precioso. Para coibir a entrada de mais garimpeiros ilegais, as áreas de lavra e os garimpeiros foram registrados pela Receita Federal; e a área do garimpo e da vila do Trinta (a época já com nome de Curionópolis) foi dotada de infraestrutura de Correios e de um armazém da Cobal, para que não fosse necessário o deslocamento constante de pessoas pela região.[23]
Em 1981, os depósitos de ouro na superfície se esgotaram, sendo necessário adequar o local para prorrogar a extração manual. Neste mesmo ano a Serra Pelada passa a abrigar 80 mil garimpeiros, com a exploração caindo para 2,5 toneladas de ouro. O declínio tornou-se acentuado e, em 1984, a cava do garimpo jé alcançava 200 metros de profundidade, tornado inviável a exploração. Desde este ano a produção foi caindo até que, em 1991, extraiu-se somente 13 quilos de ouro, quando a exploração foi vetada.[29]
A decadência da garimpagem na vila de Serra Pelada refletiu na vida econômica da região, que caiu em grande ostracismo econômico e político, observado pela grande pobreza e concentração de renda.[30] Na segunda metade da década de 1980, a vida econômica da Vila de Curionópolis - que sobrevivia do comércio de motores, combustíveis, equipamentos, venda de alimentos, bebidas, entre outros - passou a orbitar em torno da cooperativa dos garimpeiros COOMIGASP, que é mergulhada em disputas políticas.[23]

Da emancipação à década de 1990[editar | editar código-fonte]

O declínio do ouro e o ostracismo econômico experimentado a partir de 1985, levou Curionópolis a se organizar no intuito de emancipar-se em relação a Marabá. A associação de moradores da vila, com o apoio da cooperativa de garimpeiros e de figuras locais influentes como o major Curió, conseguiram pleitear a realização de um plebiscito. O escrutínio mostrou um resultado superior a 90% de aprovação pela emancipação, número que viabilizou a emancipação local.
Com tal resultado, em 10 de maio de 1988, através da Lei Estadual nº 5.444, Curionópolis foi elevado à condição de município. Sua instalação ocorreu em 1 de janeiro de 1989, com a posse do prefeito Salatiel Almeida, eleito em 15 de novembro de 1988. Na data da instalação, a Vila de Curionópolis foi escolhida como sede, em detrimento da Vila de Serra Pelada e da Vila de Eldorado, por ter melhor infraestrutura que as outras últimas.[27]
Pela Lei nº 5.687, estatuída pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará e sancionada pelo Governador Jader Barbalho, no dia 13 de dezembro de 1991, foi criado o município de Eldorado do Carajás, com área desmembrada do município de Curionópolis.[31] Assim, o município perdia quase metade de suas terras e população antes de completar 3 anos de instalado.
Em 1994/1995, o município sofreu com um surto de febre de oropouche, acometendo cerca de cinco mil dos seus residentes. Os sintomas clínicos incluíam febrecefaléiamialgiasartralgiascalafriostontura, dor retro-ocular e fotofobia. Foi a maior ocorrência da febre de oropouche já registrada no Brasil.[32]
Embora sua história não seja lembrada pelo Massacre de Eldorado do Carajás, foi em Curionópolis que ocorreram os movimentos que antecederam o episódio fatídico. Em 8 de novembro de 1995, cerca de 3.000 famílias de trabalhadores sem terra -aproximadamente 15 mil pessoas- acamparam no Centro Agropastoril de Curionópolis (CAC), pertencente à prefeitura e ao governo federal. Os trabalhadores cobravam a desapropriação de áreas para assentamento. Sua reivindicação foi tratada com apatia e desdém pelos órgãos responsáveis, fato que levou a ocorrer o episódio no município vizinho, no ano seguinte, com os mesmos trabalhadores que invadiram o CAC.[33][34]
Em 1996 vários distúrbios e escaramuças foram provocados pelos garimpeiros insatisfeitos com as posições do governo de fechamento das zonas de garimpo do município, ocorrendo inclusive a invasão das áreas embargadas de mineração nos arredores da Serra Pelada, como foi o chamado "Movimento para a Derrubada do Muro do Belinho".[35] Dado isto, é solicitado a intervenção da Polícia Federal e do Exército. No mesmo ano, em outubro, a intervenção passa a ser capitaneada pela Polícia Militar do Pará.[36]

Década de 2000[editar | editar código-fonte]

Em 2000 Sebastião Curió, embora tenha sido homenageado com seu nome no próprio município, é eleito pela primeira vez como prefeito. Um das suas primeiras, e mais controversas ações, foi a demissão de praticamente todo o corpo funcional de Curionópolis, inclusive concursados estáveis, sob a alegação de "estado de emergência".[37] Em seu governo, de 2001 a 2008, haviam acusações de existência de grupos de ação contra "pessoas indesejáveis". Seu estilo personalista e autoritário ao administrar a coisa pública chegou a ser comparado como o "último quinhão da ditadura militar".[35]
No ano de 2001, Curionópolis volta ao noticiário em função do assassinato do sindicalista Antonio Clênio Cunha Lemos, na sede do Singbras, nas proximidades do Estádio Municipal, região conhecida como Jacarezinho; o crime nunca foi esclarecido.[38] O próprio Lemos era acusado de assassinato de dois outros garimpeiros, nas disputas de poder pelo controle do sindicato.[39]
Em 4 de novembro de 2005 é aprovada a lei orgânica municipal.[40]

Década de 2010[editar | editar código-fonte]


Avenida Presidente Vargas, no bairro Jardim Panorama, em 2018.
Desde o ano de 2012, quando Curió foi denunciado pelo Ministério Público de Marabá pelos seus crimes durante a ditadura, tornou-se forte o movimento que pede a mudança de nome da cidade, assim como de vários lugares cujo nome homenageia pessoas ligadas à ditadura militar no Brasil. Caso mude sua denominação, o município passaria a se chamar "Serra Leste", a sua denominação mais primitiva.
Devido à recente valorização do ouro no mercado internacional após a Grande Recessão, muitos garimpos até então desativados, passaram a ser reabertos. Entre 2007 e 2014 a empresa de mineração canadense Colossus Minerals Inc. se associou à COOMIGASP, formando a joint venture Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), que explorou de forma mecanizada o ouro de Serra Pelada.[41][42][43] Entretanto, a empresa Colossus declara falência no Canadá e se retira da parceria na empresa SPCDM em 2014. A COOMIGASP passa por seguidas intervenções judiciais ao mesmo tempo. A mina é oficialmente fechada em 2014.[44] As denúncias e as investigações sobre as SPCDM pautam-se sobre desvios de dinheiro,[45] evasão e contrabando de ouro.[46]
Outros projetos minerais reacenderam a economia municipal a partir de 2010, sendo que, o principal destes, é o "Serra Leste", de ferro, que alçou Curionópolis ao quarto lugar em arrecadação de CFEM no Pará, e; o outro projeto, que ainda está em implantação, é o "Cristalino", de exploração de cobre.[47][48]

Economia[editar | editar código-fonte]

Desde o início das atividades de mineração industrial, esta têm sido a principal vocação econômica de Curionópolis, na medida em que gera empregos formais e receitas com arrecadação de impostos e royalties ao caixa da prefeitura.[30]

Agricultura, pecuária e extrativismo[editar | editar código-fonte]

A despeito do peso da mineração industrial, o setor primário ainda é de vital importância para o município, na medida em que gera empregos, arrecadação e supre a municipalidade com itens alimentares e diversos.
As informações da Pesquisa "Produção Agrícola Municipal" de 2015, de responsabilidade do IBGE, apontam que a agricultura de lavoura temporária registrou produção considerável de abacaxi, mandioca e milho, e; a lavoura permanente se concentrou na produção de banana, coco-da-baía, maracujá, goiaba, cajá e abacate. O extrativismo vegetal, embora já quase insipiente, se concentra na extração de castanha-do-brasil e de madeira em tora.[49][50]
A mesma pesquisa do IBGE apontou que, em 2015, os principais rebanhos pecuários eram os bovinos, os equinos e os galináceos. O rebanho bovino era subdividido animais para corte e leite, sendo que o primeiro era, de longe, o mais numeroso.[49]
A agroindústria estava centrada no beneficiamento mínimo de cinco produtos: leite de vacaovos de galinhamel de abelha e polpas de cajá e goiaba. A produção e beneficiamento do cajá é uma das marcas econômicas locais.[49][51]
A mineração artesanal, mais conhecida como garimpo, embora já quase extinta, ainda persiste, pautada no ouro e no manganês.[52] O passivo ambiental da atividade foi o principal fator para que a mesma fosse considerada ilegal.[50]

Indústria e mineração[editar | editar código-fonte]

A indústria em Curionópolis está concentrada na grande mineração industrial ou em atividades a ela correlatas, como peças de reposição para grandes máquinas e tratores.
A mineração industrial, centrada na extração de ferro da mina de Serra Leste, monopolizada pela Vale S.A., é o motor econômico de Curionópolis, principalmente graças à geração de royalties.[50] A expectativa do início da extração do cobre, na mina do Cristalino, fará, certamente, com que o caixa da prefeitura tenha um incremento muito grande de recursos.
A mesma atividade também conta com a extração do ouro na mina da Cutia, na vila de Cutianópolis. A exploração do ouro é feita por sistema de cooperativa, que monopoliza os equipamentos e a extração, dividindo os recursos entre os cooperados.[53]

Comércio e serviços[editar | editar código-fonte]

O setor de comércio e serviços de Curionópolis orbita em torno de Parauapebas. Sua serventia entretanto, é grande para os munícipes, na medida em que fornece acesso a itens básicos para consumo doméstico e de atividades econômicas menores.
A economia do setor terciário gira também em torno dos serviços públicos, com educação, saúde e assistência social. O principal fato gerador é a massa salarial paga aos servidores.


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